sábado, 30 de junho de 2018

Bordado Filé – Região das Lagoas de Mundaú- Manguaba (AL)

Diário de Bordo, 2016.


Bordado Filé – Região das Lagoas de Mundaú- Manguaba (AL)
O nome filé vem do francês “filet”que quer dizer rede e, de fato, é um bordado sobre uma rede de fios. Fios sobre fios que envolvem processos complexidade de execução e muito aperfeiçoamento através desse longo tempo histórico de repasses entre gerações, povos e países. 



Mesmo tendo quem vincule sua origem ao antigo Egito, sua procedência esteve ligada a certas áreas da península ibérica, nesses últimos séculos, sendo encontrado em localidades de Portugal (como Minho) e da Itália (como Pistoia), em seguida aportando no Brasil colonial onde, possivelmente, esteve incluso na educação reformadora das escolas cristãs católicas que ensinavam prendas às mulheres. Como no caso de sua ocorrência na península ibérica, aqui no Brasil se estabeleceria na vida das comunidades de pesca lagunares e costeiras de Alagoas.






O Bordado Filé alagoano constitui-se como um trabalho manual executado sobre uma superfície de fios tramados, realizando-se dois procedimentos: primeiro, a confecção de uma rede ou malha com fio de algodão de espaçamento pequeno e em segundo, o preenchimento dessa malha com variadas combinações de pontos. 


Conferir: http://www.inbordal.org.br/pt-br/



Cajuína (PI)

Diário de Bordo, 2016.

Cajuína (PI)

A cajuína é uma bebida não alcoólica, feita a partir do suco do caju separado do seu tanino, por meio da adição de um agente precipitador (gelatina) coado várias vezes em redes ou funis de pano. Esse processo de separação do tanino do suco recebe o nome técnico de clarificação, e o suco clarificado é então cozido em banho-maria em garrafas de vidro até que seus açúcares sejam caramelizados, tornando a bebida de cor amarelo âmbar, podendo ser armazenada por períodos de até dois anos.




Provêm da tradição indígena e vai se consolidando entre o final do século XIX até a década de 1930. Dona Maria Veloso é considerada a primeira produtora de cajuína no Piauí. Símbolo de hospitalidade, seu consumo constitui um ato de degustação e celebração. É ainda uma marca de identidade, do cenário e do hábito alimentar piauense. 



Foi apresentado ao IPHAN um Dossiê realizado entre 2008 e 2009 sobre a Cajuína e em 16 de março de 2014 a Cajuína do Piauí recebe o título de Patrimônio Imaterial Brasileiro.

Renda Renascença – Cariri Paraibano (PB)

Diário de Bordo, 2016.


Renda Renascença – Cariri Paraibano (PB)


A renda renascença era considerada artigo de luxo, havendo suntuoso destaque dessas peças nos trajes masculinos, ao contrário dos dias atuais, onde sua aplicação prevalece nas roupas femininas. E é no Cariri Paraibano, no nordeste brasileiro, onde as rendeiras transformam a cultura local e o fazer artesanal numa potencialidade econômica, confeccionando as tradicionais e famosas renda renascença.



A renda renascença surgiu entre os séculos XV e XVI. O seu modo de fazer foi consagrado como símbolo artesanal italiano, na ilha de Burano, em Veneza.
Foi no século XIX, com a ocupação do Convento Santa Teresa, por religiosas francesas, que a renda renascença chega ao nordeste do Brasil. Essas freiras ficaram famosas por serem as únicas a confeccionar um excelente bordado.

O saber fazer desse artesanato foi por séculos um segredo. No entanto, na década de 1930, esse conhecimento chegou às mulheres mais humildes. Era chegado o momento da renda renascença se espalhar pela região, transformando-se em grande patrimônio cultural nacional.



A renda renascença é confeccionada com agulha, linha e lacê de algodão. O lacê tem para as rendeiras do Cariri Paraibano um significado muito forte porque serve para identificar a renda local. Além do lacê, outras linhas e papéis se acrescentam à renda.

São mais de 100 tipos de pontos de renda, todos devidamente catalogados. Os tipos de rendas produzidos na região se diferenciam das demais localidades, pois já estão inseridos e absorvidos pela cultura local.

A produção de renda renascença foi responsável pela inserção das mulheres da região no mercado de trabalho. A atividade artesanal da renda renascença representa, freqüentemente, a única fonte de receita para um expressivo número de famílias.

Biscoitos - São Tiago (MG)

Diário de Bordo, 2016.


Biscoitos - São Tiago (MG)

Desde o século XIX, há o reconhecimento do valor cultural do biscoito em São Tiago. Fazer biscoitos em São Tiago é recordar gerações, é fazer o que sempre se fez, é voltar ao passado. Da simples atividade de se fazer o biscoito, se estabeleceu uma tradição local. A confecção do biscoito artesanal deu continuidade a essa herança deixada à cidade.



A origem do biscoito aparece em conjunto com a povoação de São Tiago. Conta-se que a cidade foi povoada, em 1708, quando bandeirantes espanhóis seguiam as margens dos Rios da Morte e dos Peixes.



Na década de 1990, a fabricação de biscoito em São Tiago ultrapassa as cozinhas, com a abertura de diversas padarias. A realidade começa a ser transformada. Aos poucos, o biscoito feito à mão, ainda de modo artesanal, alcança as cidades vizinhas. Hoje, São Tiago é reconhecida como a cidade do biscoito.


A receita é simples: os biscoitos são obtidos através do amassamento e cozimento conveniente de massa preparada com farinhas, amidos, féculas fermentadas ou não, e outras substâncias alimentícias. Mas, o ingrediente secreto, está no seio de cada família são-tiaguense, a sua forma tradicional de fazer biscoitos artesanais, que é passada de geração a geração. São encontrados mais de 20 tipos de biscoitos artesanais nas padarias de São Tiago.

Peças artesanais em estanho - São João Del Rei (MG)

Diário de Bordo, 2016.

Peças artesanais em estanho - São João Del Rei (MG)


A cidade de São João del Rei é marcada pela religiosidade, mantendo viva toda a tradição das procissões, do culto e do soar dos sinos. As peças artesanais em estanho carregam um sentido de natureza simbólica, referente à identidade cultural são-joanense.



O estanho já era produzido em São João del Rei e Tiradentes desde o século XVIII. O uso de estanho na confecção de utensílios domésticos e litúrgicos foi muito difundido nessa região no período colonial. Porém, com o advento dos utensílios de alumínio e outros materiais, o estanho foi substituído, sendo o seu uso mais restrito à liga do bronze.

Somente a partir da década de 1960, com a insistência de um antiquário inglês, John Leonel Walter Somers, que a fabricação de peças de estanho e consolidou. Ele aprendeu a fabricar as peças e ensinou o ofício a outras pessoas. Logo, fábricas de produtos de estanho proliferaram pela cidade mineira.


O estanho é um metal beneficiado a partir da cassiterita, muito macio, o que impede de ser utilizado puro. Por isso, é feita uma liga denominada como “pewter”, que contém de 90 a 98% de estanho, sendo o restante composto por 1 a 8 % de antimônio e 0,25 a 3% de cobre.



O artesanato em estanho de São João del Rei tem características barrocas, peças sacras e os utensílios domésticos possuem design colonial. O estanho de design colonial é um produto que reforça a identidade cultural de São João del Rei. Nas peças sacras, são mantidas as formas arredondadas da religiosidade são-joanense. Estes aspectos agregam valor ao produto na medida em que o estanho traz a representação da cidade em si.

Opalas preciosas de Pedro II e joias artesanais de opalas de Pedro II (PI)

Diário de Bordo, 2016.


Opalas preciosas de Pedro II e joias artesanais de opalas de Pedro II (PI)


O nome opala é de origem sânscrita, na qual “upala” significa pedra preciosa. As opalas são conhecidas pela sua grande variedade de cores na mesma pedra. A formação das opalas preciosas se deve a fenômenos geofísicos específicos, necessitando de milhões de anos para a sua formação.



As opalas preciosas de Pedro II são opalas naturais, e apresentam um jogo de cores característico produzido pela difração da luz branca através de uma estrutura ordenada de micros esferas de sílica. As opalas não sofrem modificações do estado natural que se encontram, exceto para serem cortadas e polidas. As opalas preciosas são do tipo: pura, boulder e matriz. A tonalidade corpórea da opala preciosa varia de tons claros a escuros, de translúcidas a opacas.



As joias artesanais de opala, por sua vez, permitem a combinação das opalas preciosas com outros materiais, tais como ouro, prata e tucum. Os artesões desenvolvem designs próprios, criando uma identidade artística e valorização das suas joias, em forma de colares, pingentes, brincos, anéis.




A opala é conhecida como pedra da boa fortuna. Por sua vez, a cidade de Pedro II é responsável por praticamente 100% da produção de joias artesanais de opalas do Piauí, constituindo a principal atividade econômica da cidade. As joalherias possuem estruturas próprias de lapidação e de fundição, com investimento em maquinário e mão de obra qualificada. O Festival de Inverno de Pedro II é um dos maiores eventos do estado, exibindo as opalas preciosas e as joias artesanais de Pedro II.

Renda de agulha em lacê/ Renda Irlandesa – Divina Pastora (SE)

Diário de Bordo, 2016.


Renda de agulha em lacê/ Renda Irlandesa – Divina Pastora (SE)

A renda irlandesa, por influência da renda italiana ou veneziana, ganhou contorno próprio, com o estímulo da produção deste tipo de artesanato nos conventos irlandeses, na tentativa para evitar o desaparecimento da renda com o surgimento da revolução industrial, a partir de 1872.



Descrita em livro do século XIX, é introduzida em Divina Pastora, por volta do início do século XX, por Ana Rolemberg, integrante da alta aristocracia. Os Rolembergs constituíam uma família de senhores de engenho, com destaque na vida política e muitas fazendas espalhadas por todo o vale.


A renda irlandesa ganhou, no ano de 2000, o título de Patrimônio Cultural do Brasil, conferido pelo IPHAN, sendo o modo de fazer incluído no Livro de Registro dos Saberes. O município de Divina Pastora foi considerado como a terra da renda irlandesa, porque no local se encontram os elementos que culminaram com a apropriação do ofício.



A renda irlandesa confeccionada pelas rendeiras de Divina Pastora é classificada como do tipo “renda de agulha”. É uma renda singular, de grande beleza, ressaltada pela textura e brilho. Os desenhos com
relevos que se combinam de modo especial geram uma renda original e sofisticada.



Apresenta características específicas, pelo uso do tipo cordão sedoso achatado, conhecido como lacê, através de pontos adaptados ou criados pelas artesãs. São listados diversos pontos, os quais são nomeados com formas análogas a animais e vegetais, como exemplo o pé-de-galinha, a aranhinha e o abacaxi.

Bordado Filé – Região das Lagoas de Mundaú- Manguaba (AL)

Diário de Bordo, 2016. Bordado Filé – Região das Lagoas de Mundaú- Manguaba (AL) O nome filé vem do francês “ filet ”que quer dizer rede ...